“É um ótimo almoço, excelente mesmo!! O cardápio é bom e tem tudo o que a gente precisa para estarmos bem nutridos. Desde que eu entrei aqui, minha vida tem melhorado bastante. Eu só quero agradecer e parabenizar vocês. Que continuem fazendo tudo por amor e pensando no próximo porque tem muita gente precisando”. O relato emocionado e cheio de gratidão é da dona de casa Francisca Maria, beneficiária da Cozinha Queira Bem, no bairro Granja Portugal, em Fortaleza.
Durante muito tempo, Francisca viveu com a incerteza de ter comida para alimentar sua família. Hoje, ela se sente feliz em poder buscar, todos os dias, a quentinha entregue pelo Ceará Sem Fome, programa de enfrentamento à fome do Governo do Ceará, que celebra três anos da sanção da lei estadual que instituiu uma das mais importantes políticas públicas de combate à insegurança alimentar do país, reconhecida recentemente com Prêmio Brasil Sem Fome concedido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com o Banco Mundial e o Ministério da Saúde.
Elaborado a partir de um amplo diagnóstico social e da escuta ativa da sociedade civil, o Programa Ceará Sem Fome foi criado logo no início da gestão do governador Elmano de Freitas. O assessor técnico do Ceará Sem Fome, Cícero Cavalcante, lembra que foi um período marcado por uma grave crise econômica e social no Brasil, agravada pelos efeitos da pandemia de Covid-19, que ampliou as desigualdades e levou o país de volta ao mapa da fome.
“Naquele período, o Brasil havia retornado ao mapa da fome e a situação no Ceará tinha se agravado. Levantamentos realizados pelo Ipece e pesquisas nacionais diagnosticavam uma realidade muito dura da fome no Estado. Havia, portanto, a necessidade de agir de forma urgente e imediata. Uma das principais diretrizes foi analisar tudo o que já existia, aproveitando experiências anteriores como o Mais Nutrição, o Cartão Mais Infância e o Vale Gás, sempre com um amplo trabalho de escuta construído junto aos movimentos sociais”, destaca.
Atualmente, o programa conta com mais de 200 pactuantes, entre entes públicos, privados e de entidades da sociedade civil. O que demonstra, segundo a primeira-dama Lia de Freitas, que na época do lançamento do Ceará Sem Fome atuava como articuladora da iniciativa, a força da iniciativa.
“O sentimento que a gente tinha era que, se conseguíssemos unir esforços de diversas áreas e setores da sociedade, daria para fazer uma grande ação logo de início. O Ceará Sem Fome é um programa que mexe muito com todos aqueles que realmente acreditam em um mundo melhor”, afirmou a primeira-dama e presidente do Comitê do Programa Ceará Sem Fome, Lia de Freitas, que na época atuava como articuladora da iniciativa.
Muito mais que um prato de comida
Atualmente, o Programa Ceará Sem Fome conta com uma rede de 1.300 cozinhas que, diariamente, distribuem 130 mil refeições balanceadas e saudáveis. Desde o início da iniciativa até hoje, foram mais de 65 milhões de quentinhas distribuídas em todo o Estado.
Outra frente emergencial é o Cartão Ceará Sem Fome que concede o benefício de R$ 300,00 mensais para à compra exclusiva de alimentos por famílias em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade social. São 47 mil famílias contempladas. O cartão é aceito em 3.673 estabelecimentos credenciados, incluindo cooperativas da agricultura familiar. Cerca de 95% dos titulares do benefício são mulheres.

Para Luciana Fernandes, beneficiária do cartão e mãe de três crianças, o apoio chegou em um momento decisivo. “O que meus meninos mais gostam é carne moída, com uma saladinha de verduras. Sou muito grata por esse cartão que recebi. Chegou em uma boa hora, porque quando um filho pede uma coisa para comer, a gente tem”, relata.
Esperança no futuro
Mais do que garantir alimentação imediata, o Ceará Sem Fome também investe na autonomia das famílias por meio do eixo +Qualificação e Renda.
Já são 27.610 beneficiários qualificados em 174 municípios, sendo 83,5% mulheres. Os dados apontam ainda 617 beneficiários com acesso ao microcrédito pelo Ceará Credi (até julho de 2025) e 7.829 admissões no mercado de trabalho formal (até outubro de 2025).
A história da ex-beneficiária do programa, Rosimeire Granjeiro, é um exemplo. Ela participou do curso na área de gastronomia, com formação em bolos, tortas e salgados, e hoje, conquistou uma vaga no mercado de trabalho.
“Agora é uma nova etapa da minha vida. Meus pensamentos para o futuro são outros. Hoje eu posso sonhar. Antes, eu não sonhava. Trabalhar dignifica a pessoa. A gente não pode desistir. Foi através do curso que eu consegui essa oportunidade”, afirma.
Histórias como a de Rosimeire mostram que o Ceará Sem Fome vai além da assistência emergencial. Trata-se de uma política pública que promove dignidade, inclusão produtiva e novas oportunidades para milhares de famílias cearenses.



